POR UMA VIDA MENOS ORDINÁRIA

Matheus é um jovem como qualquer outro, uma eterna criança que encontra dificuldades em crescer, emocionalmente e pessoalmente. Enfim, tudo por uma vida menos ordinária. Também no site: http://ordinariavida.blogspot.com

29

de
novembro

52 Mais que um simples trombadinha

Assim, os dois quase-namorados desligaram o celular. Matheus voltou ao seu banho, estava radiante e empolgado. Pretendia pedir o ficante em namoro. Enfim, a idéia de uma relacionamento tomou corpo, deixou de ser apenas algo abstrato. E o pedido foi aceito por Eduardo assim que conversaram a respeito do assunto. Um novo casal, um novo romance, uma nova tentativa. E muitas surpresas estavam apenas por vir.

O novo casal iniciou a semana em perfeita sintonia. Entretanto, um fato inesperado por Matheus, porém que foi aguardado por muito tempo, ocorreu naqueles dias. Trata-se de um daqueles acontecimentos que ocorreu em momento errado. Ou quem sabe certo. Quem garante?

Era uma quarta-feira, meio de semana. Os dias estavam sendo ótimos e gratificantes para Matheus. Ele estava trabalhando normalmente quando num tempo de folga decidiu entrar em sua página de recados do Orkut. Para sua surpresa havia um recado de uma pessoa estranha. Estranha, em termos, não era habitual e nem de seu círculo de amizades, mas já havia se cruzado com ela e criado um desejo em se relacionar com ela.

A tal pessoa era o chamado trombadinha. Leu cuidadosamente aquele recado:

“Oi, Matheus. Por acaso seu celular é 8119-7095? Abraços.”

Ficou pensativo sobre o que era aquele recado em sua página. Chamou Sabrina para saber a sua opinião. A amiga foi convicta ao dizer “Ele só pode estar querendo se aproximar de você para querer ficar, só pode”. Estava on-line em seu MSN e chamou pelo melhor amigo para conversar, pois não sabia o que fazer. Após algum tempo, recebeu a ligação no celular.

- Tiago, preciso de uma ajuda!
- O que foi que houve? Não pude falar aquela hora com você no MSN porque meu patrão estava perto.
- Então, você sem lembra do Adriano, que namora o seu colega Beto?
- Sim, o que tem ele?
- Deixou um recado no meu Orkut perguntando sobre o número de meu celular. Mas não entendi nada. Ele não namora?
- Bom, Tico, pelo que soube, parece que deram ou um tempo ou terminara, pois o Beto foi visto sozinho na formatura dele e eu sou testemunha disso.
- Que droga!
- Por quê?
- Ah, porque eu sempre tive vontade de beijar esse moleque e agora que ele está solteiro, eu estou namorando! Foda isso!
- Não creio, será que ele está afim de você?
- Sei lá, quem sabe. Bom, vou adicioná-lo no Orkut e responder ao recado, né?
- Conversa com ele, quem sabe, mas pense bem no que fazer, ok? Você sabe muito bem o que suas atitudes poderão provocar e se você gosta mesmo do Eduardo saberá o que fazer.
- Tiago, eu ainda não gosto do Eduardo, apenas estou começando a curtir e a sentir algo por ele, mas amor ou sentimento forte ainda não tenho.
- Se você diz isso, cuidado com suas atitudes.
- Não entendo o por quê de você afirmar isso.
- Porque às vezes o Adriano está solteiro e quer apenas curtir, ou quem sabe ele possa voltar com o ex-namorado, e o que aconteceria com você?
- Eu poria em risco meu namoro por algo que não viesse a compensar…
- Sim, perderia a chance de tentar ser feliz com o Eduardo.
- Mas também temos a possibilidade de o Adriano querer algo sério comigo, concorda?
- Pode ser, não descartemos, mas uma pessoa que terminou um namoro de quase 2 anos, dificilmente irá querer se relacionar novamente tão cedo, concorda?
- Ah, sei lá, concordo e discordo, não sei o que falar.
- Bom, você tem que pensar muito no que for fazer e se prolongar o assunto, você precisa conversar com o Eduardo e contar também o que ocorre.
- Como assim?
- Antes que possa chegar aos ouvidos dele, se o Adriano estiver vindo atrás de você para ficar, conte tudo que aconteceu, seja sincero.
- Sim, verdade, farei isso mesmo.
- Amigo, tenho que desligar, vários projetos por aqui. Qualquer coisa, conversamos por e-mail, pois o MSN hoje será impossível.
- Ok. Prefiro e-mail também. Beijão.
- Beijos.

Colocou o telefone no ganho e ficou sentado olhando a tela do computador. O movimento na cafeteria estava fraco naquele dia, talvez porque era semana pós-carnaval. Matheus manteve-se calado e suspirou. Decidiu clicar e adicionar Adriano como amigo. Após isso, olhou seu álbum, viu algumas fotos dele com o ex-namorado, com amigos e família. Aquela vontade de outrora, quando nem havia contato ou nem imaginava que o rapaz soubesse da sua existência, havia retornado. Algo estranho sentiu. Um sentimento diferente e um carinho forte. Algo que desejava sentir por Eduardo, mas ainda não conseguia. Queria chorar.
Sabrina se aproximou do amigo e lhe abraçou.

- O que foi agora, Tico?
- Sabe, nem eu sei. Estava aqui olhando o álbum do Adriano, como já fizera outras vezes. Antes eu olhava, sentia vontade de ficar com ele, mas sabia que o empecilho era porque ele namorava. Agora, soube que está solteiro, ele vem me deixar um recado a respeito de meu celular, fico imaginando o que ele quer.
- Bom, você só saberá isso quando conversar com ele.
- Então, agora tenho medo.
- Por que, medo, Matheus?
- Porque eu olhei novamente as fotos dele e senti algo estranho, como se eu no fundo desejasse gostar dele, e tenho medo disso.
- Se for pra você gostar dele, não será evitando o melhor remédio. Aposto que ele ainda não sabe que você está namorando agora e certamente ele virá atrás de você.
- Aí que meu medo esbarra: não tenho certeza de que ele somente virá atrás de mim para um encontro ou para um relacionamento duradouro. E justamente no momento que estou começando um, depois de tanto desgaste emocional.
- Pense com cuidado. Ponha na balança os dois lados. Eduardo é uma boa e ótima pessoa, mas se ele não fizer criar sentimento de amor, porque não ousar e quebrar a cara com Adriano?
- Só sei que estou com medo.
- Vamos mudar de assunto.

Os dois voltaram a se abraçar. Matheus fechou a janela do álbum de fotos de Adriano e decidiu responder a seu recado: “Oi, Adriano, tudo bem? Bem, esse não é mais meu número. Qualquer coisa, adicionei vc e conversamos depois. Abraços!”. Assim, um passo foi dado e Matheus decidiu ousar, acabar com essa dúvida. Quem garante que Adriano desejava beijá-lo? Somente conversando saberia. Pois bem, o trombadinha não era um simples trombadinha, era mais que isso.

28

de
novembro

51 Mais uma idéia que foi se formando

Matheus se ajoelhou e ficou pedindo para que a amiga fosse conversar com o seu pretendente. A amiga foi convencia e poucos minutos depois estava conversando com o moleque. Matheus ficou radiante de felicidade e empolgação. O rapaz realmente era muito bonito e como estava sem ficar com alguém há algum tempo, quem sabe não seria uma nova pessoa em sua vida. E realmente foi.

Após alguns minutos, Mariana foi conversar com Eduardo a respeito de Matheus. O menino ficou interessado no amigo de Mariana que, após a conversa, fez as devidas apresentações. Os dois começaram a conversar e nos minutos seguintes estava se beijando. Matheus gostou do beijo do moleque e de vez em quando a amiga passava por perto dos dois para brincar ou conversar com o novo casal.

E aquele churrasco foi marcante para Matheus. Gostou mesmo do beijo e do jeito do rapaz que estava ficando, tanto que estavam se sentindo diferente. E no decorrer da semana, o gelo que estava em seu coração foi sendo derretido aos poucos, não inteiramente, estava mesmo se deixando levar por aquele novo romance.

Em quase todos os dias naquela semana os dois se encontraram. O rapaz fazia universidade pública na cidade, cursando arquitetura e dividia apartamento com outro rapaz da sua sala. Era de outra cidade do interior paulista, próximo a Minas, tanto que seu apelido era o nome esquisito e engraçado da cidade.

Passada a semana de euforia, um novo final de semana chegou. Era sexta-feira e combinaram de sair para comer lanche. Matheus convidara Douglas para ir, o que foi prontamente atendido. Estava feliz e radiante, e seu amigo também percebia isso. Aliás, todos que estavam ao seu redor percebiam, desde Sabrina a Tiago. Quem sabe aquele período de turbulência amorosa e carência estava ao seu fim, não?

Foram a um lanche famoso na cidade, cujo lanche era muito aclamado. Ficaram conversando sobre todos os assuntos. Eduardo levou uma amiga, mas não era uma simples amiga. Tratava-se de sua melhor amiga e que no futuro seria uma pessoa de grande importância também na vida de Matheus, pois o mundo realmente dá muitas voltas.

- Gente, essa aqui é a Michelle, minha melhor amiga.
- Oi, Michelle, sou o Matheus, prazer – apresentou-se.
- Esse aqui Michele é o Douglas, amigo do Matheus – disse Eduardo.
- Oi, prazer, Michelle.
- Oi, pessoal, desculpa incomodar o programa de vocês, mas o Dú quem me convidou.
- Imagine, Michelle. Ele falou de você a semana inteira e uma hora teríamos que nos conhecer, não?

E assim, todos foram devidamente apresentados. A nova amiga que estava se inserindo na vida de Matheus era uma menina simples, meiga, de cabelos curtos e tom avermelhados, não muito forte. Sua feição assemelhava-se à atriz norte-americana Audrey Hepburn, aquela conhecida pelo papel marcante no filme “Bonequinha de Luxo”. Por trás dessa meiguice se escondia uma pessoa de grande caráter e esforçada. Naquele momento, Michelle acabara de sofrer uma desilusão amorosa com uma garota e que Matheus não conhecia, cujo nome era Betina.

As duas ficaram alguns meses, mas o relacionamento não deu certo por causa dos sentimentos que Betina ainda sentia por uma ex que morava em São Paulo. Era mais uma confusão que qualquer pessoa possui. Todos somos livres para estar confusos e errarmos, pois somente com os erros e as tentativas frustradas que nós conseguimos aprender algo. Tanto Matheus, quanto qualquer um que estava sentado àquela mesa já havia cometido erros e também cometeria no futuro.

A simpatia que Matheus sentiu pela melhor amiga de Eduardo foi enorme. Matheus estava realmente decidido a quem sabe começar um relacionamento forte e duradouro com o rapaz. E foi uma idéia que começou a tomar corpo.

N’outro dia, um sábado de Sol e quente do final de mês de fevereiro. Matheus enviara uma mensagem Eduardo com o seguinte texto:

“Bundia, Dú. Td bem? Preciso falar c vc hj s falta, pode vir aki em ksa? Me liga antes, ok?”

Cinco minutos que se passaram do envio da mensagem pelo celular, o aparelho começa a tocar. Matheus estava tomando banho e abriu o box rapidamente para poder atender a chamada. Era Eduardo quem estava ligando, atendo ao pedido que Matheus fizera na mensagem.

- Oi, Dú, tudo bem?
- Tudo, Matheus. Recebi sua mensagem agora. Pode falar?
- Sim, estava apenas tomando banho, mas posso.
- Então, o que você precisava falar comigo de tão urgente?
- Hum, prefiro falar pessoalmente, pode ser?
- Pode sim, mas sobre o que seria?
- Falo quando nos vermos.
- Que horas?
- Por mim a qualquer hora. Hoje estou de folga do trampo mesmo e daqui a pouco ligarei ao Douglas para saber o que faremos à noite. Venha aqui em casa.
- Daqui a vinte minutos chego aí, pode ser?
- Sim, fechado. Já estou saindo do banho e me troco rapidinho.
- Ok, beijão.
- Beijo.

Assim, os dois quase-namorados desligaram o celular. Matheus voltou ao seu banho, estava radiante e empolgado. Pretendia pedir o ficante em namoro. Enfim, a idéia de uma relacionamento tomou corpo, deixou de ser apenas algo abstrato. E o pedido foi aceito por Eduardo assim que conversaram a respeito do assunto. Um novo casal, um novo romance, uma nova tentativa. E muitas surpresas estava apenas por vir, pois quando menos esperamos tudo acontece.

10

de
outubro

50 Mais um vício de amizade

O tal churrasco estava marcado para acontecer no final da tarde de sábado. Como Matheus estava trabalhando naquele dia, combinou com Douglas de irem após o seu expediente, pois poderiam ficar até mais tarde, já que no dia seguinte não haveria trabalho.

Assim, o amigo de Matheus passou na cafeteria e seguiram em direção à casa em que ocorreria o churrasco. Douglas conhecia o pessoal, eram todos do meio gls e Matheus conhecia apenas alguns dos convidados. Eram pessoas diferentes daquelas que ele convivera, entretanto, todos foram simpáticos, fazendo com que em pouco tempo estivesse enturmado.

Uma pessoa iria encantá-lo muito e a simpatia dela faria com que construíssem uma grande amizade. Era uma menina, de estatura mediana, não muito alta. De cor negra e com cabelos alisados, vestia uma camiseta branca e uma bermuda jeans. Matheus estava sentado numa sacada que ficava em frente da casa, quando essa pequena pessoa sentou-se ao lado. Já haviam sido apresentados, mas nenhum deles se lembravam dos nomes, pois àquela altura o álcool já fazia efeito.

De repente, Matheus puxa conversa:
- Me vê um cigarro?
- Peraí.

A menina ficou tentando relembrar qual era o nome, mas como não se recordava preferiu ser direta e perguntar:
- Toma.
- Obrigado – Matheus pegou o isqueiro e acendeu o cigarro, embora não fosse fumante, quando estava embriagado, a vontade de fumar era despertada.
- Qual seu nome mesmo?
- Ah, você não se lembra? Há poucos minutos fomos apresentados…
- Putz, veio, não me recordo mesmo, desculpa…

Os dois caíram na risada.
- Matheus e você?
- Uai, você também não se recorda do meu nome?
- Conheci muita gente esta noite por aqui e a essa altura o álcool já me dominou…
- Ok. Vou quebrar seu galho mais uma vez. Sou a Mariana, prazer.

Em poucos minutos os dois estavam enturmados e bebendo juntos, tirando fotos, dançando funk, dentre outras coisas mais. Isso foi apenas o primeiro dia de uma grande amizade que logo aumentaria e se aprofundaria ainda mais.

A semana após o churrasco se passou e os dois mantiveram contato. Trocaram o número de celular, conversaram diariamente pelo MSN e por e-mails. Mariana convidaria o novo amigo para passar o final de semana de carnaval em uma chácara que a turma alugara para fazer churrascos e bebedeiras. Matheus adorou a idéia. Acabou convidando Douglas também. Reencontrou nesse final de semana outros amigos que há algum tempo não via.

O final de semana foi animado. A nova amiga logo tratou de enturmar Matheus ao novo grupo e rapidamente isso aconteceu. Dançaram juntos, tiraram novas fotos, além de beberem e fumarem junto, apesar de saberem que a saúde estava sendo prejudicada.

Um fato curioso no último dia do final de semana ocorreria, sendo algo muito bom para Matheus. Era domingo quando uma pessoa diferente apareceu na chácara. Não havia estado nos demais dias e chegou acompanhado de alguns amigos de Mariana.

- Mari, quem é aquele menino?
- Qual, mano? Tem um monte naquele canto…
- Afe, que lerda você. Aquele branquinho, quase loirinho, de óculos, todo quieto.
- Humm… Deixa eu ver se consigo me lembrar qual o nome dele…
- Tá, daqui a meia hora você me responderá…
- Ah, vai tomar no meio do seu cú, moleque.
- Mari! Você nem tem tamanho e quer me enfrentar?!?!
- Vai querer saber o nome do moleque?
- Claaaaro, qual é?
- Chama Eduardo. Mas todo mundo o chama de Dú.
- Legal.
- Mas por que o interesse?
- Ah, quero beijá-lo. Vai lá falar com ele?
- Ah, fio, tenha dó, não vou largar a minha breja pra ir arranjar macho pra você…
- Por favor?!?!

Matheus se ajoelhou e ficou pedindo para que a amiga fosse conversar com o seu pretendente. A amiga foi convencia e poucos minutos depois estava conversando com o moleque. Matheus ficou radiante de felicidade e empolgação. O rapaz realmente era muito bonito e como estava sem ficar com alguém há algum tempo, quem sabe não seria uma nova pessoa em sua vida. E realmente foi.

2

de
setembro

49 Mais um frio na barriga

Uma segunda-feira de muito calor e sol. O mês de fevereiro estava começando e a faculdade para Matheus também. Estava nervoso e apreensivo, queria saber como seria esse novo mundo para ele. O que ele aprenderia e quais os tipos de pessoas que encontraria por lá. Mais dúvidas e medos surgiam em sua cabeça. Mas aos poucos tentava dissipar essa nuvem de incertezas que pairava sobre sua mente.

Chegou do serviço por volta das quatro horas da tarde. Decidiu tirar um cochilo, antes de comer algo e se trocar para ir ao seu primeiro dia de aula. Ligou a televisão, zapeando por alguns canais, até parar na Sessão da Tarde. Pensou consigo mesmo “Acho que to ficando velho. Cresci assistindo a Sessão da Tarde e ela ainda resiste ao tempo. Meu Deus!”.

Em poucos minutos estava pegando no sono. Dormiu como se quisesse descansar. Parece que a cafeteria estava muito cansativa naquele dia. O movimento foi anormal. Ou era apenas a tensão que o acometia. Não sabia a resposta.

Acordou quase seis horas da tarde. Olhou em seu celular e viu uma ligação de Douglas. Decidiu retornar, estava precisando de alguém que lhe passasse confiança. E o amigo lhe passou. Conversaram sobre a faculdade e combinaram de irem juntos. O amigo passaria em sua casa, uma vez que era caminho de ambos.

Ao desligar o telefone, foi ao banheiro, tomou um longo banho. Estava sonolento ainda, por isso demorou bastante. Demorava para raciocinar as coisas na realidade. Depois se trocou e foi para a cozinha comer algo. Pegou dois pães integrais, fatias de queijo e peito de peru, encheu um copo de Coca-cola e comeu. Fez um lanche, quem sabe não comeria algo por lá mesmo.

Pouco tempo depois arrumou seu material. Não sabia o que levar direito. Comprou um caderno e um estojo com algumas canetas e lapiseiras. Colocou dentro de uma mochila e desceu para esperar o amigo passar. Estava extremamente ansioso e nervoso. Queria poder sumir. Não gostava desse tipo de situação. Conhecer pessoas novas, enfrentar novos desafios. Talvez fosse um pouco medroso. Talvez não estivesse preparado para mudanças.

Douglas passou em frente ao seu prédio. Estacionou o carro e Matheus entrou. Cumprimentaram-se e seguiram em direção à faculdade.

- Preparado para o primeiro dia de aula, Matheus?
- Ah, meio ansioso, Douglas. Nervoso, sei lá…
- Entendo. Também fiquei assim ano passado, mas saiba que dará tudo certo.
- Tem trote por lá?
- Nem tem. A faculdade proibiu e tem seguranças espalhados por todo o campus.
- Menos mal. E será que terá alguma festa dos bixos pra nós irmos essa semana?
- Ah, isso com certeza. Sempre tem, né?

Quando chegaram ao campus da faculdade, Douglas acompanhou o amigo até a sala do primeiro ano do curso. Muitas pessoas diferentes, estilos e cores. Tudo era novidade para Matheus. E Douglas estendeu a mão e disse “Boa sorte, meu amigo! Te vejo mais tarde!”. Combinaram de se encontrar no calçadão que tinha dentro da faculdade.

Matheus abriu a porta e se deparou com uma sala imensa, com quase oitenta pessoas e todas o olharam. O professor ainda não havia chego. Decidiu seguir rumo ao fundo da sala, nas últimas carteiras. Alguns garotos passaram ao seu lado e se sentaram próximos. Fez algumas amizades, logo no primeiro dia de aula. Mal sabia que nos próximos anos, poucos restariam naquela enorme e populosa sala.

Assistiu a todas as aulas e adorou. Prestou atenção em todos os detalhes: nos professores, nos novos alunos e amigos que estavam ao seu lado, funcionários, na nova faculdade. Durante o intervalo esteve na companhia do amigo Douglas e de alguns amigos dele, mas nada de diferente.

Douglas convidou Matheus para que no final de semana, o último antes do carnaval daquele ano, fosse para um churrasco com os amigos deles. Matheus gostou da idéia. Seria talvez um aquecimento para o carnaval. Ou não. No decorrer da semana, começou a se enturmar com os rapazes que sentavam ao seu lado na sala. Começou a fazer amizades com algumas pessoas da faculdade e isso estava sendo bom, uma nova experiência para a sua vida.

O frio na barriga que sentira no primeiro dia de aula não estava mais presente. Estava mais confiante em suas atitudes, os medos deram lugar a certezas. Sabia que estava num curso certo e estava gostando. Novas amizades, novos contatos, um novo mundo estava prestes a ser descoberto. E isso aconteceu não somente durante a faculdade. Começou também a partir do churrasco que fora convidado.

Mal saberia que daquele simples churrasco, local que conheceria novas pessoas, também sairia uma grande e forte amizade, algo inesperado, porém com muito significado em sua vida.

21

de
julho

48 Mais uma etapa concluída

Aquele domingo foi cansativo. Após o velório, foi com Tiago a uma sorveteria. Lá encontrariam Douglas e Sabrina. Todos os quatro amigos se reuniram para colocar as conversas em dia. Havia muito tempo que não se reuniam como nesse dia. E Matheus estava feliz por tê-los ao seu lado. Conversaram sobre os diversos assuntos, recheados de muitas risadas e lembranças, como sempre. O seu ânimo retornou e seu humor mudou de estado. Estava melhor agora.

- Sabe uma coisa que eu não entendo em vocês? – perguntou Sabrina.
- Diga, meu amor – respondeu Matheus.
- Aposto que lá vem merda, como sempre – disse Tiago.
- É algo relacionado à sexo? – questionou Douglas.
- Seus bobos. O único que me leva a sério aqui é o Matheus.
- Eu te levo a sério?! Você gosta de chupar pinto, menina. Que coisa mais estranha!!! – respondeu Matheus.
- Somente eu, né? – disse Sabrina.

Todos riram após a resposta dada pela amiga.

- Mas qual era a pergunta? – perguntou Tiago.
- Como vocês conseguem identificar que um cara é do babado?
- Como assim? – disse Douglas.
- Ah, vocês são gays e normalmente sabem quem é gay ou não, correto?
- Temos um radar, minha querida – respondeu Tiago.
- Quando alguém que é do nosso clube se aproxima, o radar logo apita! – emendou Douglas.
- Jura?!?! – perguntou Sabrina. Você também tem esse radar, Matheus?
- Acho que o meu veio com defeito de fábrica, Sá.

E novamente todos caíram na risada.

- Sabe qual é a minha maior vontade? – disse Matheus.
- Somente saberemos se você nos contar – respondeu Sabrina.
- Idiota. Queria poder sair correndo pelado por essa avenida aqui.
- Jeová! Começaram as idiotices de Matheus – disse Tiago.
- Ah, fala sério, vocês nunca tiveram essas idiotices?! – perguntou Matheus.
- Pra falar a verdade, eu tenho vontade de chupar todos os frentistas que me atendem quando abasteço o carro – respondeu Douglas.
- Imaginem comigo quantas pessoas nesse exato momento estão fazendo sexo nessa cidade?
- Quem faz sexo às seis da tarde, Matheus? – disse Tiago.
- E desde quando tem horário para trepar? – emendou Sabrina.
- Concordo com ela. Desde quando tem horário pra dar uma, Tiago?
- Ah, sei lá. Meio estranho. Não me pressionem e não me façam perguntas difíceis.
- Viu? Não sou o único idiota – retrucou Matheus.

E assim, a conversa se prolongou por mais algumas horas. Alguns sorvetes e sucos foram pedidos, e os quatro amigos davam risadas, em meio à alguns desabafos. Amizade era a melhor coisa que havia ali naquela mesa.

A semana começou. Matheus retornou à rotina de trabalho. Até que chegara a quarta-feira daquela semana. O dia do resultado do vestibular tão esperado por Matheus.

- Tico! É hoje que sai o resultado?
- Sim. Aliás já deve ter saído…
- E você não vai ver?!
- Hum, quero não. Tenho medo.
- Larga de ser idiota. Vou ver pra você.
- Precisa não.
- Por que não precisa?
- Porque eu passei, sua tonta. O Tiago já me ligou parabenizando.
- E você não me disse nada?
- Queria esperar você vir perguntar, criar um clima de suspense e me fazer de coitadinho.
- Idiota!
- Mas, cadê meus parabéns?!
- Parabéééééééns, meu querido!

Os dois amigos se abraçaram fortemente. Os demais funcionários da cafeteria também vieram saudar o rapaz pela conquista. Mais uma etapa da vida de Matheus se iniciaria. Estava agora ansioso pelo primeiro dia de aula, o final de janeiro estava se aproximando e como seria a sua vida a partir desse momento. Como é difícil crescer e se tornar adulto.

20

de
julho

47 Mais uma brincadeira que se interrompe…

Passou a primeira noite em sua casa assistindo ao seriado. Reviu apenas aqueles episódios que mais gostava. Adorava as cenas engraçadas protagonizadas pela trintona advogada. Às vezes punha-se no lugar dela. Realmente, quando estamos com alguém ou em algum lugar ficamos imaginando as coisas mais loucas possíveis, tais como caretas ou como beijar uma pessoa que acabamos de ver, assim como falar conosco, internamente em nossos pensamentos, nossas idéias e opiniões que jamais as outras pessoas saberão.

N’outro dia resolveu fazer a inscrição para o vestibular. Estava decidido em seguir a carreira de jurista. Faria o curso de direito, assim como o amigo Douglas. Entrou no sítio da faculdade, preencheu os dados cadastrais e pagou o boleto da inscrição com o dinheiro que seu havia lhe mandado. Resolveu, então, estudar um pouco no tempo livre que dispunha. Passaria a trabalhar no turno da manhã, acompanhado de sua amiga Sabrina e a noite estudaria um pouco. Quando fosse começar a fazer a faculdade, estudaria no período noturno também.

Lembra-se que o mês de janeiro daquele ano estava muito mais quente que os demais. E muito mais chuvoso também. Saiu para algumas baladas com seus amigos Tiago e Douglas, além da companhia de Sabrina.

E o dia da prova de vestibular também chegara. Era um domingo, o terceiro domingo daquele mês, salvo engano. Estava um pouco nervoso e ansioso pela prova. Sabia que passaria, pois havia estudado um pouco, mas sempre ficava apreensivo em situações como essa. Acordar cedo, tomara um pouco de café após o banho, pegara seus documentos e seus pertences para fazer a avaliação, pegando, em seguida, um ônibus em direção à faculdade.

A prova foi tranqüila. Achou mais fácil do que imaginava. Ao sair do local de provas ligou o aparelho celular. Em poucos segundos recebeu uma mensagem de sua operadora de telefonia informando os números de celulares que haviam ligado. Eram os números de celular de Tiago, Douglas e Sabrina. Estranho. Não havia combinado nada com os amigos e eles sabiam da prova. Algo de muito grave deve ter ocorrido, pois totalizavam quase trinta tentativas de ligações. Sim, algo muito grave.

Matheus decidiu discar para Tiago. Em poucos segundos o amigo atendeu ao chamado:

- Tiago, você me ligou? Aconteceu alguma coisa?
- Oi, Matheus. Liguei sim. É que aconteceu algo muito chato.
- O que foi que aconteceu? Está me deixando confuso e com medo.
- Ah, nem sei como lhe explicar direito. O Igor, aquele seu amigo complicado, ele sofreu um acidente de carro nessa última madrugada.
- O quê? O Igor sofreu acidente?
- Sim, ele estava de passageiro no carro do amigo dele e eles bateram de frente com outro carro na rodovia, isso de madrugada.
- E ele como está?
- Bom, ele não resistiu ao impacto, Matheus.

Um silêncio pairou sobre a conversa. Não sabia o que responder, nem o que fazer. Nunca havia desejado o mal para Igor, embora não fossem mais amigos. Naquele momento passou a lembrar da mãe do rapaz que não merecia passar por tudo isso.

- Matheus? Matheus? Matheus? Você tá bem?
- Sim, Tiago. Estou. Apenas estou tentando entender o que está acontecendo.
- Sei que é foda e que ele pisou na bola com você, mas acho que você precisava saber disso.
- Valeu. Mas o que você acha que eu devo fazer?
- Ah, sei lá, Matheus. Ao menos aparecer no velório. Se quiser posso ir com você.
- Hum. Acho que vou. Será que já estão velando?
- Pelo que o Douglas me contou, parece que o corpo já foi liberado e encaminhado para a casa de velório.
- Vamos por volta das quatro horas, pode ser?
- Pode sim. Passo em sua casa.
- Tudo bem.

Desligou o telefone. Ficou pensativo. Enquanto voltava para a sua casa não parava de pensar no que havia ocorrido. Apesar de não querer mais a amizade com Igor e dos defeitos que o ex-amigo provou ter, não estava preparado para tanto. Durante o caminho todo ficava pensando na vida interrompida de um jovem de pouco mais de vinte anos. Infelizmente foi a vontade do destino. Para aqueles mais religiosos a vontade de Deus. Que seja. Uma vida se foi.

Ao chegar à sua casa, esquentou umas pizzas que havia comprado um dia antes. Depois decidiu tirar um cochilo até a hora de ir ao velório de Igor. Despiu-se, ficando apenas de cueca. Fazia muito calor naquele dia, por isso ligou o ventilador na última velocidade. Fechou as janelas. Odiava claridade. Gostava de dormir com o quarto bem escuro.

Pegou no sono. Enquanto dormia, algumas imagens lhe vinham à mente. Sonhos distantes. Histórias sem nexos com pessoas que há muito tempo não via. Como qualquer sonho que nós temos. Por volta das três e meia foi acordado com o celular tocando. Era Tiago que havia chegado ao seu apartamento. Abriu para o amigo.

Tomou um banho gelado e se trocou. Conversou com o amigo sobre o acidente, mas não havia muitos detalhes. Comentou que sentiu um pouco apreensivo e um sentimento que não conseguia definir. Não estava preparado para tanto. Acho que ninguém está preparado para uma notícia dessas, por mais que Matheus tenha optado por não ser mais amigo de Igor. A culpa não era dele.

Assim, caminharam em direção ao velório. Decidiram ir andando, pois poderiam conversar e colocar a conversa em dia. Matheus contou sobre o vestibular, sobre a expectativa de começar a estudar novamente, enquanto que Tiago lhe contava sobre suas férias e sobre seu relacionamento com o namorado que se formaria no meio do ano e voltaria para a cidade de seus pais. Tiago ficava receoso quanto ao futuro, mas Tiago lhe dava conforto. Amigos servem para isso.

Chegaram ao velório. Um sentimento de tristeza paira sobre qualquer velório. Poucas pessoas que ali estavam, na sua maioria eram parentes de Igor. Matheus cumprimentou a mãe do rapaz.

- Oi, dona Isabela.
- Oi, Matheus. Que bom te ver.
- Meus sentimentos.
- Obrigada.
- Não sei o que dizer para a senhora, peço desculpas.
- Não peça. Acho que ele está melhor que nós.
- Sim, creio que esteja.
- Gostei muito que você tenha vindo, meu rapaz. Você foi a única pessoa leal e sincera com Igor nos últimos tempos.
- Imagina, dona Isabela. Apenas fui amigo dele.
- Saiba que ele reconheceu isso e se sentiu arrependido de tudo o que ele fez com você.
- Infelizmente nós tivemos que passar por isso. Serviu para crescermos um pouco.
- Pena que ele não cresceu como você, mas soube reconhecer o erro.
- Acho melhor não tocarmos mais nesse assunto, dona Isabela. O que está feito não podemos mudar mais.
- Sim. Mas saiba que as portas da minha casa estarão sempre abertas para o amigo de meu filho.
- Obrigado. Agradeço e muito o afeto. Tenho a mesma consideração pela senhora.
- Você é um menino bom, Matheus. Sempre disse isso a ele.
- Agradeço.

A mãe de Igor soltou uma lágrima e abraçou forte Matheus. Após isso, os dois se despediram e Matheus cumprimentou os demais familiares antes de chegar próximo ao caixão. Tiago, enquanto isso, estava na porta, aguardando o amigo. Não teve muito contato com Igor, ao contrário de Matheus. Este chegou próximo ao corpo velado. Triste ver uma pessoa naquela situação. Rezou um pouco, à sua maneira, e saiu daquela sala.

No momento que saía, acompanhado de Tiago, chegara Caio, o namorado de Igor. Matheus apenas o cumprimentou de longe, evitou contato maior. Não queria conversar com mais ninguém. Ao que parece a estória com Igor estava se encerrando naquele momento. Não desejava sequer participar do enterro. Sua homenagem à memória do rapaz já fizera. Queria descansar. Sabia que o rapaz agora estaria em um local melhor. Quem sabe.

10

de
julho

46 Mais que ousar é saber não ter medos

Quantos medos surgem em nossas vidas e a gente nem percebe. Sem perceber criamos algo em nossas vidas, complicando-a um pouco mais. Queria não sentir mais medo, mas sabia que isso era parte da vida de todos nós. Queria apenas ser menos fraco. Enfrentar as situações difíceis e que lhe dessem medo com mais força, não pestanejar quando se visse diante de uma delas.

E assim, esse medo foi dando lugar a outro sentimento. Um desejo de mudança e de enfrentamento. Talvez fosse um crescimento em sua vida. O novo ano veio. Estavam já em 2007. E como sempre na televisão os mesmos jingles, as mesmas promessas de um mundo melhor nos próximos 365 dias do ano. A mesma hipocrisia de todos os anos.

Suas férias estavam acabando. Suas três semanas de folga chegavam ao fim. Ao mesmo tempo em que se entristecia por abandonar seus pais e retornar à sua pacata vida, sentia felicidade por lembrar que reencontraria seus amigos novamente.

Permaneceu duas semanas com seus pais. Enquanto esteve por lá folheou e pesquisou tudo sobre diversos cursos de graduação. Definitivamente concluiu que não possuída afinidade com a área de biológicas. Gostava de estudar biologia na escola, embora nunca gostasse de uma professora, mas somente na escola preferiria ver biologia, quem sabe. Mas sua aversão mesmo era mesmo com química e física. Apesar de sempre tirar as melhores notas, fazer boas avaliações e ser um bom aluno, suas preferências eram pela área de humanas. Amava estudar história e geografia. E adorava ler.

Sua indecisão ficou entre cursar direito, relações internacionais ou comunicação social. Seus pais disseram que ele poderia escolher qualquer um deles, desde que fizesse um curso de graduação. Permaneceu indeciso. Não sabia o que escolher. Quanto mais pesquisava, mais dúvidas surgiam. Seria capaz de administrar a faculdade com o emprego? Mais dúvidas surgiam. Pensava se fazer uma faculdade era realmente compensatório. O medo deu lugar à dúvida. E quando mais pensava, mais em dúvida ficava, o medo retornava.

Resolveu voltar para a sua cidade sem escolher o curso. Disse aos seus pais que conversaria com alguns amigos que já faziam os cursos que o deixaram em dúvida. Sim. Conversaria com Douglas que estava cursando direito há um ano e com Tiago que cursava comunicação social há dois anos. Quem sabe conversando com os amigos as dúvidas não dariam lugar a certezas.

Quando chegou a sua casa, lembrou-se de um seriado que adorava assistir na televisão e que envolvia a carreira jurídica, embora se passasse nos Estados Unidos. Identificava-se um pouco com a protagonista do programa. Tratava-se de Ally McBeal, seriado que girava em torno de uma advogada com pouco mais de 30 anos que trabalhava em um escritório de advocacia e mostrava suas frustrações amorosas simultaneamente com o sucesso profissional. Um mix de drama, comédia, romance e musical. E Matheus adorava assisti-lo. Adoravas as músicas que ali tocavam, bem como a de Barry White.

Havia comprado o box das duas primeiras temporadas do seriado. Assim, após a estadia na casa de seus pais, sentiu vontade de assistir ao seriado novamente, quem sabe ajudaria na dissipação de suas dúvidas. Gostava muito do seriado.

Uma recordação que tinha era de um episódio sobre uma senhora que estava muito doente e internada em uma cama de hospital. Não desejava mais viver. Perdera seu marido há algum tempo e o amor era a coisa mais importante que tinha. Ally fora contratada porque, segundo a velha senhora, enquanto ela dormia, em seus sonhos poderia estar junto de seu marido e realizar a sua maior vontade, o que em vida não era mais possível. Seu desejo era ter uma morte lenta, quem sabe. Assim, decidira contratar a advogada para obter o direito de ficar em coma induzido até morrer, uma vez que a eutanásia não era legalmente possível.

Essa história marcou tanto Matheus. “Hum, ficar perto da pessoa amada através de um simples sonho…”, ficava pensando nessa possibilidade. A advogada lutou bravamente, embora inicialmente fosse contra, mas devido a razão e a sensibilidade, decidiu ajudar a sua cliente. Infelizmente, ela morrera antes disso. Deus se encarregou de ajudá-la. E tanto Ally quanto Matheus ficaram emocionalmente afetados por essa história. Talvez nos sonhos possamos realizar nossas vontades, aquelas que em vida desejamos e por alguns momentos sermos mais felizes do que na realidade aparentamos ser. Que coisa engraçada é a vida.

Matheus definia o sonho como uma dimensão paralela. Seria como dar vida ao nosso inconsciente, ao nosso imaginário. Tudo que está em nosso cérebro aparece em nossos sonhos: desejos, frustrações, felicidades, tristezas, alegrias, amores, desamores etc. Entretanto, todos os dias essa vida paralela criada por nós se interrompia e voltávamos à dura realidade. São ossos do ofício de sermos humano. Meros animais pensantes.

23

de
junho

45 Mais que um abraço de conforto e amor

As letras inspiravam aqueles que ouviam. E isso fez Matheus mudar um pouco. Gostava do que estava vendo. E isso o fez mudar um pouco, sentir-se mais seguro. Percebia que estava com seus amigos de volta e aquela aura negativa que o rodeava estava se dissipando.

Aos poucos sua vida estava tomando um novo rumo. Voltando à normalidade que tanto desejava. O final do ano chegou e suas férias também. Merecidas férias. Queria viajar. Fazer algo diferente ousar.

Na semana de festas, viajou para a casa de seus pais, como há muito não fazia, talvez alguns meses. Tinha preferido estar com outras pessoas a estar com aqueles que o amavam. Grande erro cometido em sua vida. Um arrependimento que se pudesse voltar atrás, certamente não repetiria tal atitude. Infelizmente, não tinha como voltar. O que está feito, está feito. E pronto.

Era noite de Natal. Ao mesmo tempo em que se sentia feliz por estar próximo de seus pais e de sua família, sentia saudades de seus amigos. Queria um momento sozinho, curtir aquelas pessoas que estavam tão ausentes de sua vida. Ou era ele quem estaria ausente daquilo tudo?

Tinha alguns problemas a resolver com ele mesmo. E com seu pai. Por mais que tivessem brigado quando ele decidiu contar para a família a sua opção sexual, o seu relacionamento nunca mais foi o mesmo. Às vezes sentia falta do pai que tinha. Do amor que recebeu enquanto era criança. Dos afagos e das brincadeiras que faziam juntos. Mas agora pareciam distantes, mesmo sabendo que no fundo tanto um quanto outro se amava. Seria um ídolo. Talvez.

Lembra das vezes que ia com seu pai para o sítio que sua família tinha. Saíam cedinho, antes de o sol amanhecer. Passavam em sua avó, tomavam um café reforçado que ela fazia e junto com seus tios partiam para o sítio. Isso tudo em sua infância, com seus pouco mais de sete ou oito anos. Tinha a brincadeira da lua. Ao amanhecer avistavam a lua desaparecendo, aos poucos parecia ser cortada. Segundo seu pai, era a espada de São Jorge cortando o satélite terrestre. Uma visão que há algum tempo não via. Lembrou disso apenas quando estava no pico na companhia de seus amigos.

Mas era uma diversão sair com seu pai e seus tios. Ficava observando a vacinação do gado, em cima da cerca. Sentia dó daqueles bois sendo picados por aquelas agulhas, mas seu pai garantia que era para o bem deles. Assim, ficava menos preocupado e mais calmo.

Tiveram outros momentos que não somente passara com seu pai, mas com seus familiares. Lembra da única surra que sua mãe lhe dera na vida. Isso com quase cinco anos. O motivo era porque não quis entrar na sala de aula da pré-escola, fazendo-a passar vergonha com as respostas dadas por ele. No meio do caminho, eis que sua mãe acha uma varinha e o bateu, não muito, pois ela não conseguia machucá-lo. A intenção mesmo era assustá-lo. Mas não foi capaz de fazê-lo querer entrar na pré-escola naquela época.

Recorda-se de seu vizinho na época. Brincavam todos os dias na rua com os demais moleques da vizinhança. Infelizmente o destino traçou planos diferentes para ambos. Seu vizinho perdeu seus pais tragicamente em um acidente de carro. Naquela época não sabia o que era perder os pais. Não poderia medir esse sentimento. Como se pudéssemos fazer isso. Mas hoje certamente saberia que não viveria sem eles. Viveria muito infeliz e triste.

Acabou por perder contato com seu primeiro amigo. Tinham sete anos quando o fatídico acidente ocorreu. Seu amigo e a irmã dele tiveram que se mudar. Foram morar em outra cidade com um tio. Pouco se viram depois disso. Pouco se falaram. Ultimamente apenas por Orkut, algumas vezes por MSN.

E aquela noite de Natal lhe trazia nostalgia. Decidira comprar um presente para seus pais e para seus irmãos. Eram lembrancinhas. Mas que fizeram com que se sentisse de volta naquela casa. Fizeram-no sentir que tinha família ainda.

Seu pai quando recebeu o presente, meio sem-graça, o puxou e lhe deu um forte abraço. Seu coração apertou e correspondeu com o abraço. Desejou um Feliz Natal para aquela pessoa que lhe servia como inspiração na vida. Sabia que seu pai já sofrera muito na vida, batalhara muito para chegar aonde chegou e não merecia passar por mais sofrimentos. Mas não era culpa sua essa situação. Entretanto, recebeu um beijo no rosto de seu pai, um cafuné em sua cabeça e ouviu um pedido de desculpas, seguido de um “eu te amo, meu filho”.

Matheus não sabia o que fazer. Seus olhos encheram de lágrimas e respondeu:

- Pai, não precisa falar nada. Eu também te amo.

Enfim, havia feito as pazes com uma das pessoas que mais amava no mundo. Sua angústia e sua tristeza estavam acabando. Passou mais de uma semana com seus pais. Matou a saudade de todos da sua família. Estava precisando daquele momento. Estava crescendo. Estava mudando.

Conversou com seus pais sobre tomar um novo rumo na vida. Alguma coisa no sentido profissional. Via-se com mais de vinte de anos e não desejava viver eternamente trabalhando em uma cafeteria. Por mais que gostasse de ter o seu dinheiro, a sua vida própria e seus pais, queria ousar. Queria mudar.

Seu pai deu a idéia de que era melhor que estudasse. Por que não fazer uma faculdade? Ou qualquer outro curso técnico no período da manhã e a trabalharia no período noturno. Ou vice-versa. Assim, se distrairia e conheceria novas pessoas, além de crescer profissionalmente.

Gostou um pouco da idéia. Passou aquela semana procurando algum curso que lhe interessasse. Seu pai disse que fizesse na universidade particular da sua cidade mesmo que ele pagaria sem problemas. Isso o deixou entusiasmado. Ficou com medo de prestar vestibular e não passar, mesmo sendo em uma instituição particular, pois estava há anos sem estudar. Sua mãe disse que daria outra surra caso ele continuasse com medo.

Quantos medos surgem em nossas vidas e a gente nem percebe. Sem perceber criamos algo em nossas vidas, complicando-a um pouco mais. Queria não sentir mais medo, mas sabia que isso era parte da vida de todos nós. Queria apenas ser menos fraco. Enfrentar as situações difíceis e que lhe dessem medo com mais força, não pestanejar quando se visse diante de uma delas. No mais, sobra tanta paciência que nos desespera.

22

de
junho

44 Mais que se distrair é estar bem acompanhado

Mais um ano havia se passado na vida de Matheus. E muita coisa ocorreu nesses meses. Precisava rever sua vida. Quem sabe tomar um novo rumo na vida. E aos poucos as coisas foram mudando, para melhor.

Sua amizade com Sabrina estava distante, mas houve certa reaproximação. Não somente com ela, mas com Douglas e Tiago também. E a amizade desses três era de suma importância para Matheus. Ele viu que os seus verdadeiros amigos eram os pilares de sua vida. Sentia-se sozinho naquele momento e somente aquelas pessoas poderia lhe amparar.

- Sabrina, o que você vai fazer hoje?
- Ah, sei lá, Tico. Por quê?
- Humm… Queria conversar com você. Posso?
- Nossa, desde quando você precisa pedir?! Claro que pode!!
- Ah, sei lá. Faz tanto tempo que não conversamos…
- Mas ainda sou a sua amiga, seu ingrato!
- Estou me sentindo sozinho, Sabrina.
- Por quê? O que houve?
- Sei lá. Queria minha vida antiga de volta, meus amigos de volta.
- Ah, já sei. Quando eu falava desses seus novos amiguinhos, eu era a implicante.
- Você estava certa. Fui burro, fiz muitas idiotices nesses últimos tempos.
- E eu não sei? Percebi que você está diferente.
- Preciso de ajuda.
- Estou aqui sempre.
- Eu sei.

Os dois se abraçaram forte como se fossem um só corpo. Matheus estava se sentindo aliviado agora e protegido. De repente seu celular começa a tocar. Era Tiago ligando. Ficou feliz. Atendeu rapidamente:

- Oi, Tiago!! Tudo bem?!
- Oi, Matheus! Tudo sim!!
- Nossa quanta saudade!!!
- Eu também, meu amigo!!! Vejo que você está alegre, o que houve?
- Nada de especial, estava apenas conversando com a Sabrina aqui no serviço.
- Mande um beijo pra ela e que estou com saudades dela também!
- Claro que direi!!!
- Matheus, vamos amanhã num show? Chame a Sabrina também!!
- Show de quem?!
- Do “O Teatro Mágico”. Já ouviu falar?
- Não, mas o que eles tocam?
- Um estilo meio MPB e encenações, muito legal. Quero ir porque é a primeira vez que eles se apresentarão aqui na cidade. Vamos?! Será amanhã à noite no teatro da faculdade.
- Vou sim. Quanto será o convite?
- Uns R$ 15,00.
- Fechado. Vou chamar o Douglas também.
- Isso, faz isso.
- E ai, tudo bem no namoro?
- Sim, tudo ótimo. Estamos muito bens! Estou feliz, Matheus. Apenas fico meio psicando porque ele irá embora ano que vem. Tento não imaginar como será nosso namoro depois disso.
- Relaxa, Tiago. Aproveite por enquanto. Ele só irá embora depois do meio do ano. Temos muito chão ainda e vocês podem chegar a uma solução.
- Sim, sim. Bom, tenho que desligar porque senão meu pai vai ficar bravo aqui.
- Beijão! Até amanhã.

Assim, desligou o telefone celular e contou para Sabrina sobre o show que aconteceria e sobre o convite feito por Tiago para os dois amigos. A menina aceitou na hora. Disse que levaria seu namorado também. Essa reuniãozinha que ocorreria animou Matheus, pois há tempos isso não ocorria e o deixou mais alegre. Reveria seu melhor amigo, teria a companhia dos outros dois. E ainda se divertiria em um show. Mas de quem era o show? O Teatro Mágico. Será que havia magia em suas músicas? Apenas assistindo para saber.

Pois bem, o dia do show chegou. Matheus e seus três amigos, acompanhados do namorado da amiga. O show começaria as oito horas da noite. E como Matheus e Sabrina não trabalhariam naquele dia, embora o show acontecesse em uma quinta-feira à noite, algumas semanas antes do Natal, todos combinaram de saírem juntos.

Chegaram ao teatro da faculdade e puderam-se avistar todos os tipos de fãs da trupe. Na sua maioria, alunos de teatro, universitários de faculdades públicas da cidade, todos com estilos alternativos, parecidos com a idéia que a banda transmitia. Aos poucos, a turma foi se familiarizando com o clima da banda.

O show começou. Era tudo novidade tanto para Matheus quanto para Douglas e Sabrina. Tiago apenas havia assistido a alguns shows pelo Youtube e ouvido suas músicas em seu computador, pois a banda disponibilizava os downloads das canções em seu site. Defendia a música independente. E isso é bom em um mundo em que poucos lucram.

E Matheus gostou do que estava assistindo. Música e teatro, arte em dobro. E suas belas letras que contagiavam quando cantava. Falavam de tudo. O CD chamava “Entrada para Raros”. Que coisa intrigante. Embora Matheus nunca tivesse ouvido falar naquela banda, ficou perplexo e maravilhado como todas aquelas pessoas conheciam e sabiam suas letras de cor. Que coisa.

20

de
junho

43 Mais que uma atitude necessária é ter orgulho

Matheus sentia arrepios quando uma pessoa dizia assim. Amigo. Enfim, como definir uma pessoa como amiga? Para Matheus precisaria de muito chão. Apesar de considerar, naquela época, Igor uma pessoa legal, ainda tinha medo e não recebia confiança por parte dele. Resumindo tudo, Matheus mais uma vez estava sendo amigo dos outros quando eles precisavam. Nunca negou ajuda. Entretanto, quando mais precisou, poucos lhe estenderam a mão. Que amigos!

E assim naquele domingo, Matheus demonstrou sua preocupação com Igor. Saíram daquele boteco e já eram mais de duas horas da tarde. Foram para outro algumas ruas mais longe. Serviam espetinho e estavam com fome.

Um ombro amigo foi o que Matheus ofereceu à Igor naquela tarde toda. Ouviu desabafos, ouviu as neuroses que criara em torno dos ciúmes doentio que sentia. Matheus tentava ajudá-lo e desconsiderar tudo aquilo. Mas o ciúme era mais forte, tanto que chegaria a acabar com a relação entre ambos, e isso faria Matheus ver que não estava rodeado por amigos.

Passaram a tarde toda conversando. Entretanto, em vão. As crises de ciúmes se acentuaram cada vez mais, tanto que surgiram brigas físicas. Ao longo dos últimos meses daquele ano, Matheus estava se sentindo meio perdido. Tais pessoas que convivia não lhe faziam bem. E foi percebendo tanto por seus atos quanto pelos dos outros. Queria sua vida de volta. Seus antigos amigos de volta. Queria ser o Matheus novamente.

E tudo parece que vem no seu tempo certo.

O mês de novembro chegou. A vida de Matheus estava ficando na mesmice, muito parada. Estava desgostoso com a amizade de Caio e Igor. Aos poucos tentava se afastar. Tanto que voltou a se reaproximar de Douglas, a sair novamente com seu amigo. E isso estava lhe fazendo bem. O negativismo está se dissipando.

Entretanto, não seria fácil. Mas uma briga veio a pôr fim nisso tudo.
Era uma noite em seu apartamento. Caio e Igor estavam por lá, coisa que pouco fizeram, pois quase não apareciam por lá. Ficaram um pouco e foram embora. Questão de meia hora seu celular começa a tocar. Era Igor. Retornou a ligação, como sempre.

- Oi, Igor. Que foi?
- Matheus como você pôde mentir pra mim?
- Eu? Mentir?
- É você mesmo. Eu acreditei em você. Tratei você como o irmão que não tenho.
- Do que você está falando, Igor?
- Já sei de tudo, Matheus.
- Sabe o que? Porque eu não to sabendo de nada.
- O Caio me contou já. Disse que vocês já ficaram uma vez.
- O quê?!
- Sim, que vocês se beijaram e foram inclusive pra motel.
- Ele tá louco! Nunca fiz nada com ele.
- Pára de ser ridículo, Matheus. Ele me disse tudo já. Não precisa me enganar.
- Mas não tô enganando. Ele está mentindo, invenção tudo isso.
- E eu acreditei em você. Perguntei você uma vez se já tinham ficado e você negou. Como fui idiota, os dois riam da minha cara por trás. Quem me garante se não ficavam ou ainda ficam.
- Cala a boca, Igor. Pára de falar merda porque nunca relei nesse moleque aí. Você está criando história. Aliás, ele quem está.
- Ah, Matheus, não somos mais crianças, pára de ser ridículo. Não sou idiota. Tratei você como um irmão.

Matheus não gostava de brigar com as pessoas. Estava se sentindo mal com aquela situação, por mais que fosse mentira e ele estivesse falando a verdade. Odiava ser acusado por algo que não fez e ninguém acreditar em seus fatos. E era mentira o que Caio havia contado para Igor. Matheus morrerá sem entender o motivo disso tudo.

Igor desligou o telefone e Matheus ficou perplexo, tentando entender tudo isso. Ligou novamente para o que se dizia seu amigo e nada. Apenas chamava, mas não atendeu. Tentou diversas vezes, queria tirar essa história a limpo. Seu nome e sua honra estavam em jogo, odiava quando isso ocorria. Odiava esse mundo podre que estava convivendo.

Nada de atender ao celular. Matheus tentou somente n’outro dia quando se levantou para ir trabalhar. Igor o atendeu e uma nova discussão.

- Igor, posso ir falar com você?
- Pra quê, Matheus?
- Não temos o que falar, você me enganou e me sinto traído.
- Mas isso tudo é mentira, o Caio está inventando isso tudo.
- Não sou moleque, Matheus. Larga de querer falar isso.
- Vou aí, posso?
- Estou saindo. Vou na rua fazer algumas coisas pra minha mãe. Depois conversamos.

Novamente o telefone foi desligado. Matheus estava se irritando com isso. Tentou outras vezes ligar para Igor e tentar se explicar ou ir à sua casa para conversar, mas em vão. Sempre havia respostas grossas e mal educadas da outra parte.

Assim, Matheus resolveu dar um basta. Deixou de ligar para tentar se explicar. Um novo rumo em sua vida foi tomado. Decidiu retomar as antigas amizades, mais confiáveis e que sempre lhe fizeram bem. E estava se sentindo melhor. Cortar as relações com pessoas que só lhe fizeram mal ou atraíam negativismo o ajudaram bastante.

Sua vida novamente começou a andar. Estava parado no tempo. Largou as futilidades que o cercavam e priorizou novos horizontes. E o final do ano veio para ajudá-lo a mudar.

Aquele que se dizia seu amigo, algum tempo depois, questão de um mês e pouco, voltou a procurá-lo no celular. Mas Matheus já não o atendia mais. Havia excluído e bloqueado do MSN e Orkut. Excluíra em definitivo de sua vida. Alguns e-mails chegaram. E Igor se dizia sozinho, arrependido, que não confiava em Caio, desejava a amizade de Matheus de volta, sempre as mesmas neuroses de ciúmes e o egoísmo da parte dele.

As respostas dadas por Matheus sempre foram de que não havia mais amizade, desejo de felicidade para ele. Matheus salientava que sua vida estava melhor agora, não queria mais amizades negativas a sua volta, tampouco queria receber novos e-mails ou notícias de Igor.

Entretanto, o moleque era insistente e enviava diversos e-mails pedindo desculpas, querendo a amizade de volta, dizia-se sentindo sozinho, as desconfianças em relação ao namoro, o mesmo ciúmes doentio de sempre. Matheus foi firme e forte em sua decisão. Mandou um último e-mail dizendo que evoluíra, afirmou que sempre foi amigo, fiel e conselheiro, mas nunca obteve a amizade da mesma forma, sempre ajudou, mas nunca fora ajudado e não desejava mais a presença do ex-amigo em sua vida, estava feliz assim e pediu que não mandasse mais e-mails.

Novos e-mails chegaram. Entretanto, nunca foram lidos, muito menos respondidos. Sempre deletados da caixa de entrada. Matheus era convicto em suas atitudes e idéias. Sabrina chegava a comentar porque não tomava as mesmas atitudes em seus namoros. Se nem ele sabia a resposta, quem vai saber.

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